Blog de HOMERO VIANNA JR


 

 ASSIM É SE LHE PARECE

O CHURRASCO de campanha eleitoral, devidamente acompanhado de farofa e cerveja, é marca registrada nacional. Multiplicado por mil às vésperas de uma eleição, geralmente patrocinado por um cabo eleitoral interessado em vantagens futuras, esse rega-bofe vale mais do que os candentes discursos, que nunca faltam em seu transcurso; nem centenas de palavras, as mesmas cediças e vãs palavras rotineiras de tais ocasiões, ganham da mensagem gustativa representada por uma picanha mal passada e uma Antártica gelada. Mas agora, amigos, um novo formato de comilança eleitoral acaba de ser lançado por madame Suplicy. Nada de carne de segunda em pratinhos de papelão, nada de churrasqueiras improvisadas com tijolos em terrenos baldios; dona Marta, a que dispensou o homem, mas ficou com seu sobrenome, abriu seus salões em São Paulo para, em torno de finos acepipes e de vinhos de boa origem, apresentar a "Mãe do PAC" a meia dúzia de dondocas, ditas “formadoras de opinião”. Não se sabe se o caviar era de boa qualidade ou se o filé estava no ponto, mas sabe-se pelos jornais que a estrela do ágape representou bem seu papel. E, para confirmar que além do cirurgião plástico, seu marqueteiro está também fazendo um bom trabalho, a ex-guerrilheira impressionou a "peruada" ao mostrar que não é nada daquilo que seu passado diz; que, muito pelo contrário, é um amor de criatura, delicada, doce, quase santa... Portanto, não se surpreendam se, para continuar desmentindo seu passado de terrorista, ela aparecer qualquer dia desses fazendo dupla com Ana Maria Braga na cozinha do “Mais Você”. E, evidentemente, discutindo a conjuntura econômica nacional com o abominável Louro José.                                            



Escrito por homeroviannajr às 14h31
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A FAVOR DO CONTRA

  DE UM LADO, com sua moto-serra, o interesse econômico do aumento da área de plantio na Amazônia; de outro, os ambientalistas na defesa da preservação da floresta. Eis aí um dos mais momentosos embates nacionais. Surge então a pergunta: ficar com quem nessa parada? Sinuca de bico para Luiz Inácio, dirão vocês. Sim, porque esse é um tipo de embate que não permite coluna do meio; ou se é contra ou a favor. Não dá para torcer pelo Fluminense cantando o hino do Flamengo. E o "Maior Presidente do Sistema Solar", sabedor disso, e comprometido com as duas partes em confronto, vai ter que decidir. Mas maior que o interesse em assumir uma posição, e arcar com as consequências, está o interesse pessoal dele. É preciso, mais do que tudo, usar engenho e arte para ficar bem politicamente com as partes em litígio. Daí que, procurado por zangados militantes ambientalistas, que lhe mostraram um manifesto pelo fim do desmatamento, ou seja, contra a medida provisória que ele mesmo editara, o Homem de Garanhuns pegou a caneta e, zas, pespegou seu jamegão, dando apoio ao protesto. Surpresa? Não para mim, que já dissera tempos atrás que ele é invulnerável justamente por isso: conseguir ser, ao mesmo tempo, governo e oposição a si mesmo. O Globo, ao que parece, descobriu essa mágica agora, como revela este seu minieditorial: “O político Luiz Inácio Lula da Silva se excede. Agora, ele acaba de assinar um manifesto pelo fim do desmatamento na Amazônia, reivindicação que significa uma crítica a seu governo. Lula de fato se descolou da administração Lula. Virou uma instituição, um santo de andor da política nacional, reverenciado na procissão dos beneficiários do assistencialismo populista”. Não é preciso dizer mais nada. E Dilma, o mesmo do mesmo, está vindo aí...



Escrito por homeroviannajr às 16h15
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PALOCCI, AONDE VAIS TÃO INOCENTE?

 

            O QUE vocês vão ler agora é um artigo de Augusto Nunes. Sou levado a transcrevê-lo porque, mais que um libelo, é uma espécie de colonoscopia, a revelar mazelas intestinais de um tempo que, para azar nosso, parece que vai demorar a passar.

            Por falta de quorum, o Supremo Tribunal Federal adiou a absolvição que falta para transformar o deputado federal Antônio Palocci, por falta de provas, no candidato do PT ao governo de São Paulo sem maiores explicações a oferecer, sem mea culpa a fazer.  Como faltaram provas, o ex-prefeito de Ribeirão Preto escapuliu do banco dos réus onde o instalara a suspeita de que se meteu em delinquências e patifarias promovidas pela empresa Leão e Leão, incumbida de coletar o lixo da cidade. Como a maioria das 11 togas anda murmurando que faltam provas, o ex-ministro da Fazenda será inocentado no julgamento do processo que trata da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

            É possível que a Polícia Federal não tenha reunido provas e evidências suficientes para convencer os ministros do STF de que Palocci  participou diretamente do estupro da conta na Caixa Econômica Federal, ocorrido em 2006. Os sherloques sempre parecem mais interessados na vítima que no suspeito. É possível que faltem à papelada burocratices indispensáveis à colagem do selo que  identifica um  ‘devido processo legal’.  Tudo é possível num Poder Judiciário em que se tornaram rotineiras coisas de que até Deus duvida.

              Deus decerto duvida de que o STF está prestes a surpreender o mundo jurídico com uma invenção brasileiríssima: o estupro sem estuprador. Ministros, desembargadores, meirinhos, delegados, bacharéis, estagiários, todos sabem o que nem o logotipo da Caixa finge ignorar: a conta foi violada ilegalmente. Houve, portanto, um estupro. Mas não haverá um estuprador caso Palocci seja inocentado. Se não existe o criminoso, tampouco existirão cúmplices, comparsas, paus-mandados ou coisa parecida. Só o crime. É uma novidade e tanto.

               Até o fim de setembro, parentes e amigos de infância de Palocci podiam fazer de conta que a culpa do réu não fora inteiramente comprovada. Depois do início de outubro, quando circulou a edição n° 25 da revista Piauí, foi implodido o direito a dúvidas solidárias. Baseada em investigações que se estenderam por um ano, uma irretocável reportagem de João Moreira Salles recompôs minuciosamente a história espantosa. Se os ministros do STF querem saber o que ocorreu, está tudo ali. Se querem provas, indícios, evidências, está tudo ali. Se querem reconstituir os passos dos envolvidos e conhecer a atuação de cada um, está tudo ali. O que a polícia deixou de fazer foi feito exemplarmente por Moreira Salles.

              A leitura impõe a desoladora sensação de que a pátria da impunidade já não se limita a absolver pecadores. Também pune inocentes. Num depoimento à CPI dos Bingos, Palocci disse que nunca visitara a suspeitíssima ‘República de Ribeirão Preto’. Encarregado de cuidar da mansão no Lago Sul, Francenildo contou que o ministro aparecia com frequência no endereço alugado por amigos que o chamavam de ‘chefe’.  Por ter mentido, Palocci perdeu o cargo no primeiro escalão ─ mas se elegeu deputado meses mais tarde e pode virar candidato a governador. Por ter dito a verdade, o caseiro perdeu o emprego, o sossego, a mulher e a chance de conseguir trabalho fixo em Brasília.

             Formalizada a absolvição, os brasileiros terão de acreditar que o sigilo bancário de Francenildo se quebrou sozinho. E os imortais da Academia Brasileira de Letras terão de decidir qual é a grafia correta da novidade. Em 2006, o que houve foi um auto-estupro. Depois da reforma ortográfica, o hífen ficou ou sumiu?”.

            O hífen, nesse caso, sumiu. Só não sumiu ainda a esperança de que este país venha a ser conduzido por gente melhor. Mas também está quase sumindo.

                        



Escrito por homeroviannajr às 11h51
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